Enquanto o Congresso Nacional analisa a proposta que põe fim à escala 6×1, empresas utilizam ferramentas digitais para redistribuir operações
O governo federal e o Congresso Nacional analisam ajustes na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A proposta estabelece cinco dias de trabalho para dois de descanso. O texto sob relatoria do deputado Léo Prates (Republicanos-BA) deve prever uma regra de transição de dois a três anos e limite para trabalhadores com salários de até R$ 16 mil. As horas reduzidas seriam remuneradas sem impacto em encargos como férias e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Em meio ao debate, donos de pequenos e médios negócios têm flexibilizado jornadas de trabalho e relatam impactos na gestão. A transição para modelos como a escala 5×2 resultou na redução da rotatividade de pessoal (turnover), na queda do número de atestados médicos e no aumento da produtividade das equipes. As empresas registram maior tempo para o lazer dos colaboradores e o uso de tecnologias para manter o funcionamento da operação.
Boas práticas e orientações de especialistas para redução da jornada
Marcelo Nakagawa, professor de inovação e empreendedorismo do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), orienta que o empreendedor analise como as tecnologias digitais podem racionalizar os custos antes da alteração da escala. Ele afirma que “a redução da jornada integrada à implementação da NR-1 [Norma Regulamentadora nº 1] e a novas tecnologias digitais é uma grande oportunidade para um salto” na produtividade. O docente recomenda que o gestor deve buscar apoio em mentorias e redes de aprendizado, pois “o maior erro neste momento é tentar fazer uma transição sozinho”.
A segurança jurídica é outro ponto crucial, exigindo que toda alteração seja formalizada por escrito para proteger o negócio. Paulo Renato Fernandes, professor da Fundação Getulio Vargas de Direito Rio, ressalta a necessidade de formalização. “O contrato de trabalho bem feito é a primeira linha de proteção da empresa. Não pode fazer nada sem contrato, sem aditivo contratual, sem termo de alteração”, afirma. Fernandes sugere o acompanhamento de indicadores como “produtividade, assiduidade, pontualidade, rendimento, meio ambiente de trabalho, o nível de estresse” para validar o sistema.
Fonte: Revista PEGN

