A feira de turismo de Lisboa é este ano “a maior de sempre alguma vez realizada na FIL”, com as regiões a anteciparem perspetivas positivas para o ano, mesmo as que estão em período de recuperação após as tempestades

Foi em ambiente festivo que começou esta quarta-feira a BTL (Better Tourism Lisbon Travel Market), a feira representativa do turismo português que na edição de 2026 surge alargada em espaço e nº de pavilhões, e se assume como a “maior feira alguma vez realizada no distrito da FIL”, ultrapassando até os números obtidos com a Web Summit. A BTL inaugurou este ano com 1700 pavilhões, 60 mil metros quadrados de área expositiva e previsão de atingir 85 mil visitantes. De momento a feira é de acesso estrito a profissionais do sector, e abrirá as portas ao público no fim-de-semana, encerrando a 1 de março às 20h.

A BTL costuma ser palco de visitas de políticos, e desta vez não foi exceção. A inauguração oficial da feira de turismo na recente edição coube a José Pedro Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República.

 

“Muita força e energia positiva agora, nesta fase, passadas as grandes dificuldades”, alentou o presidente da Assembleia da República o passar pelo pavilhão do Turismo do Centro de Portugal (cujos territórios foram mais violentamente atingidos pelas intempéries), ao que lhe responderam, entre brindes com espumante local: “Nós, nesta região, somos gente de força”.

 

 

As regiões de turismo demonstram na BTL continuar com previsões em alta para 2026
Nuno Fox

 

A realização da BTL surge bastante ‘colada’ no tempo às tempestades devastadoras, com destaque para a Kristin, mas o sector do turismo olha o resto do ano com “esperança”, e até perspetivas de crescimento.

Na sequência das intempéries, a Vila Galé teve de lidar com “muitos cancelamentos” no seu hotel em Coimbra, e segundo o administrador executivo do grupo, Gonçalo Rebelo de Almeida, “o efeito foi terrível, mas com alguma frieza pode-se dizer que ocorreu nos dois meses mais fracos, e também quero acreditar que fenómenos desta dimensão não se vão repetir tão cedo”.

A Vila Galé vê na BTL uma importante oportunidade de fazer negócios, e prevê repetir, ou até ultrapassar os números do ano passado, em que conseguiu vendas ao público num valor de €200 mil a €300 mil.

“Temos aqui toda a equipa de vendas responsável pelas relações com operadores e agentes de viagens, e aproveitamos para fazer muitos contactos institucionais”, refere o responsável da Vila Galé, lembrando que o Brasil é este ano o destino internacional convidado da BTL. “Veio muita gente do Brasil, governadores, prefeitos e outras entidades, e para nós, que temos uma presença forte neste país, é uma boa oportunidade para contactos e parcerias”.

 

“A BTL vai servir para que 2026 possa ser melhor que 2025”, enfatizou ao Expresso Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, avançando previsões de o ano poder fechar para o sector “com um crescimento de 5,5% a 6% em receitas, superior ao do ano passado, que será inferior em volume de fluxos turísticos, pois estamos focados é no crescimento em valor”.

 

 

A animação e provas de gastronomia estão a marcar a feira de turismo, este ano com a maior área expositiva de sempre
Nuno Fox

 

“Esta feira é uma mostra do que é a força e a resiliência do do turismo, e apesar de janeiro e fevereiro terem sido difíceis para Portugal, estamos focados no plano de recuperação dos territórios afetados e acreditamos que o sector pode dar um contributo importante nesta recuperação”, conclui o presidente do Turismo de Portugal.

Alentejo e Ribatejo reportam prejuízos turísticos de €10 milhões

O próprio sector do turismo foi afetado pelo ‘comboio de tempestades’, apesar de todas as regiões se estarem a promover na BTL em ambiente de animação, mesmo as que foram mais afetadas.

“Apesar de não remos sido tão afetados como o centro de Portugal, identificámos €10 milhões em prejuízos só na área do turismo, e que vamos reportar dentro em breve ao secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços”, adiantou José Manuel Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.

Os prejuízos identificados pela região de turismo incidem em diversas frentes, desde infraestruturas, passadiços ou cais fluviais, a par de danos em estruturas privadas como alojamentos ou restaurantes.
 
 

 

Apesar da região do Alentejo e Ribatejo reportar danos com as tempestades, a perspetiva em 2026 é a de
Nuno Fox

 

No Alentejo, os danos destacaram-se pela mais forte incidência em zonas como Alcácer do Sal, Gavião (“cuja praia fluvial ficou devastada”, nota José Manuel Santos), Mértola ou Odemira. E no Ribatejo, as tempestades causaram mais prejuízos em Coruche, Salvaterra de Magos, Alpiarça ou Rio Maior.
 
“Precisamos que o Governo seja rápido a disponibilizar os apoios, e a fundo perdido”, frisa o presidente da Entidade de Turismo do Alentejo e Ribatejo, calculando que “cada pequeno e médio empresário necessite de €30 mil a €40 mil para não interromper a operação”.
 
A previsão que prevalece na região de turismo, que abrange um vasto território, é positiva para 2026. “Fomos a região nacional que no ano passado mais cresceu em dormidas, 6,3%, a par de termos tido um aumento de 11% em proveitos. A expectativa que temos é pelo menos consolidar estes resultados, estamos a fazer uma grande aposta nos eventos, e a promover Évora como capital da cultura em 2027”, enumera José Manuel Santos.
 

“A região Centro precisa que os portugueses a venham visitar”

Os prejuízos maiores com as intempéries referem-se à região Centro de Portugal, que está a ser alvo de uma estrutura de missão nomeada pelo Governo com vista à sua recuperação.

 

“Estamos a lamber feridas, e a cozer algumas mais profundas”, salienta Rui Ventura, presidente do Turismo Centro de Portugal. A região de turismo fez um primeiro levantamento dos prejuízos no sector, que totalizaram €11 milhões, e que reportou à estrutura de missão.

 

 

Mesmo as regiões mais afetadas pelas tempestades promoveram os seus atrativos na BTL
Nuno Fox

 

“Na BTL estamos a mostrar que a região continua viva, e quer receber pessoas”, salienta Rui Ventura, frisando que “as pessoas podem facilmente regressar ao Centro de Portugal”, e que “as coisas não se resumem ao momento difícil que passámos, e estamos a trabalhar na reconstrução dos territórios”.

Lembrando que o Centro de Portugal inclui 100 municípios e 8 sub-regiões, o responsável da região de turismo realça que que há muitos territórios que não foram afetados.

“Os portugueses que venham ao Centro de Portugal, a região precisa deles para se recuperar, continua a ser um território seguro e diverso”, apela Rui Ventura, salientando que “tivémos um início de ano mau, mas já estamos a preparar-nos para o verão, e temos a forte esperança que vamos conseguir recuperar”.

 

 

 

Fonte: Sapo.Pt