No dia 21 de junho próximo, o sol inicia o seu movimento de afastamento da linha do equador e começa o solstício do inverno, no hemisfério sul,.Ou seja, noites mais longas do que o dia. Obviamente no hemisfério norte vai ocorrer o oposto. Mas por aqui vai fazer frio. 

É tempo pois de alternarmos os “prazeres da mesa”. Saem as saladas e frios e entram as sopas e consomes quentes mas, e sobretudo, os clássicos:  fondues, raclettes, queijos e vinhos. E além de vinhos,  duas preciosidades: conhaque e armagnac (*). 

Mas qual a diferença entre esses dois néctares? 

A primeira: o conhaque é destilado duas vezes e o armagnac apenas uma. A segunda: o armagnac é mais leve do que o conhaque, ligeiramente mais seco, mais encorpado e envelhece mais rapidamente. 

Mas ambos ganham cores, sabores e aromas quando bebidos em taças pré-aquecidas, porque são destilados densos  e com o calor – aproximadamente a temperatura do corpo – os  “aromas  escondidos” escalam as bordas e ganham amplitude no nariz e na boca. 

Parênteses: aquece-se as taças de três formas. Acendendo-se a chama desse aparelhinho (a mais elegante) e  girando a taça lentamente, ou aninhando a taça no calor do oco da mão (a mais charmosa). Ou enchendo até a metade a taça de água e colocando-a no mico por um minuto antes de despejar a água e servir o conhaque ou armagnac (a mais prática). 

Esses são os digestivos-cardeais da gastronomia francesa. E Picasso que adorava um (bom) conhaque, batizou-o de “el sol emboteillado”, tal a quantidade de raios de luz que perpassam o seu volume, visto contra a luz. Detalhe: quando este destilado é produzido em outra região que não a demarcada, na França, é chamado de “brandy”.pc 

Santé! 

Autor: Reinaldo Paes Barreto